Desde o início de 2026, a campanha ucraniana contra a infraestrutura energética russa alcançou uma nova escala. Refinarias, terminais de armazenamento e centros logísticos tornaram-se alvos prioritários de uma estratégia destinada a atingir a base econômica que sustenta o esforço de guerra do Kremlin.
Segundo informações divulgadas por autoridades ucranianas, mais de 30% da capacidade de refino da Rússia foi afetada por ataques ou interrupções operacionais. Ao mesmo tempo, a produção de petróleo caiu para seus menores níveis recentes e a produção de gasolina atingiu patamares não observados há muitos anos.
Os dias 17 e 18 de junho marcaram uma nova fase dessa campanha. Uma das maiores ofensivas de drones contra Moscou desde o início da guerra atingiu novamente a refinaria de Kapotnya, considerada uma das principais fornecedoras de combustível para a capital russa. Os ataques provocaram incêndios, interrupções operacionais e restrições temporárias nos aeroportos da região metropolitana.
O aspecto mais relevante não é apenas o dano físico. As sanções dificultam a importação de equipamentos especializados necessários para restaurar rapidamente unidades de refino danificadas. Isso transforma cada ataque bem-sucedido em um problema econômico e logístico de longo prazo.
Os efeitos começam a aparecer no abastecimento interno. Diversas regiões registram medidas de racionamento, limitações de venda por veículo e crescente pressão sobre a cadeia de distribuição de combustíveis. Relatos recentes indicam inclusive dificuldades de abastecimento em aeroportos e aumento da necessidade de importações para compensar déficits domésticos. (The Moscow Times)
Do ponto de vista geopolítico, a campanha ucraniana evidencia uma das principais características da guerra contemporânea: a capacidade de utilizar drones de longo alcance para atingir centros econômicos estratégicos localizados a centenas de quilômetros da linha de frente. O objetivo não é apenas destruir infraestrutura, mas reduzir receitas, elevar custos e comprometer a capacidade do adversário de sustentar uma guerra prolongada.
A guerra na Ucrânia mostra que, no século XXI, a resiliência de um Estado depende tanto de suas forças armadas quanto de sua capacidade de proteger refinarias, redes logísticas, infraestrutura energética e sistemas econômicos. É nesse espaço que uma parte decisiva do conflito está sendo travada.
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