Tag: Uruguai
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Livro novo: Identidade em Conflito.
Por Dr. Erick Reis Godliauskas Zen
@erickrgzen
Caros amigos,
Finalmente, com alegria, posso anunciar que meu novo livro foi publicado: Identidade em Conflito: Os imigrantes lituanos na Argentina, no Brasil e no Uruguai. A obra foi publicada pela EdUFSCar e contou com o apoio Fapesp, que também concedeu a bolsa de doutorado possibilitou a pesquisa.
O livro, de uma forma geral, consiste na tese defendida na Universidade de São Paulo (USP) como resultado da minha pesquisa de doutorado em História Social. Claro, que o tempo, e as novas leituras ao longo dos últimos anos permitiu melhorar e aprimorar o texto original. No mesmo sentido, e sempre para melhor, o livro pediu algumas adaptações.
Leitura do primeiro parágrafo do livro
Meu trabalho de pesquisa consistiu em analisar as formas de estruturação e as relações entre as comunidades lituanas radicadas na Argentina, no Brasil e no Uruguai. De forma comparada, buscar compreender as referências identitárias deste grupo nacional durante o processo de desenraizamento territorial e a formação dos laços de solidariedade ao longo do processo de inserção nos diferentes Estados nacionais. Ao mesmo tempo, demonstrar como estas comunidades se relacionavam para além das fronteiras dos países em que se estabeleceram, construindo intercâmbios de experiências e organizando movimentos sociais e políticos.
Busquei, com isso elaborar uma abordagem transnacional preocupada sobretudo com a circulação das ideias e as mobilizações políticas, em particular, em um momento de radicalização e de intensas mudanças tanto para os países latino-americanos, como para a Lituânia.
Esperamos que o resultado tenha sido satisfatório e para quem quiser conhecer a obra ela pode ser adquirida no site da editora. O lançamento será nas próximas semanas…
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Livro: Identidade em Conflito.
Caros amigos,
Finalmente, com alegria, posso anunciar que meu novo livro foi publicado: Identidade em Conflito: Os imigrantes lituanos na Argentina, no Brasil e no Uruguai. A obra foi publicada pela EdUFSCar e contou com o apoio Fapesp, que também concedeu a bolsa de doutorado possibilitou a pesquisa.
O livro, de uma forma geral, consiste na tese defendida na Universidade de São Paulo (USP) como resultado da minha pesquisa de doutorado em História Social. Claro, que o tempo, e as novas leituras ao longo dos últimos anos permitiu melhorar e aprimorar o texto original. No mesmo sentido, e sempre para melhor, o livro pediu algumas adaptações.
Leitura do primeiro parágrafo do livro
Meu trabalho de pesquisa consistiu em analisar as formas de estruturação e as relações entre as comunidades lituanas radicadas na Argentina, no Brasil e no Uruguai. De forma comparada, buscar compreender as referências identitárias deste grupo nacional durante o processo de desenraizamento territorial e a formação dos laços de solidariedade ao longo do processo de inserção nos diferentes Estados nacionais. Ao mesmo tempo, demonstrar como estas comunidades se relacionavam para além das fronteiras dos países em que se estabeleceram, construindo intercâmbios de experiências e organizando movimentos sociais e políticos.
Busquei, com isso elaborar uma abordagem transnacional preocupada sobretudo com a circulação das ideias e as mobilizações políticas, em particular, em um momento de radicalização e de intensas mudanças tanto para os países latino-americanos, como para a Lituânia.
Esperamos que o resultado tenha sido satisfatório e para quem quiser conhecer a obra ela pode ser adquirida no site da editora. O lançamento será nas próximas semanas…
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Desconhecia Mario Benedetti!
Por Dr. Erick Reis Godliauskas Zen
Twitter: @erickrgzen
- Escrito em: 4 de junho de 2009, Montevidéu
- Falecimento do poeta uruguaio
- Mario Benedetti
Desconhecia Mario Benedetti! Sinto-me obrigado a confessar minha ignorância e, somente na circunstância de seu velório, pude encontrá-lo. Seu rosto foi estampado em todos os jornais. Eu, atônito, me deparava com um dos personagens mais importantes da literatura e da política uruguaia. Era um feriado cívico chocho e frio. Dia preparado para grandes e eloqüentes discursos, mas o silêncio tomou Montevidéu. A Batalla de las Piedras vencida por Artigas e determinante para a independência daquele país, não tinha qualquer importância. O luto se abateu. Foi um feriado em homenagem a Mario Benedetti.
Sempre fui um leitor compulsivo. Desde que a minha dislexia foi sendo contornada. O que era uma dificuldade se tornou um dos meus maiores prazeres. Na escola me encontrei com a literatura brasileira e portuguesa. Mas essas logo se transformaram em livros para o vestibular. As aulas de literatura, que deveriam ser uma porta de entrada para humanização, foram prostituídas em enfadonhos preparos para a fuvest.
Não nego o esforço de alguns mestres para que fosse um pouco mais que isso. Contudo, os livros selecionados eram os da lista das provas e não constava literatura em língua espanhola. Em casa, talvez por minha ascendência, era mais fácil encontrar a literatura européia, particularmente da Europa Oriental. Considerando que a Rússia faz parte da Europa. Desde cedo os clássicos russos, Dostoievski, Tchekov, Tolstoi e assim por diante começaram a fazer parte do meu repertório. Mas os escritores latino-americanos eu fui conhecer no fim da faculdade com mais de vinte e cinco anos de idade.
Não me lembro exatamente como, ou porque, resolvi ler Cien Años de Soledad, talvez pelo prêmio Nobel de Gabriel García Márquez. Desgraçadamente, o reconhecimento europeu, muitas vezes, ainda é o caminho para valorizar e conhecermos nossos vizinhos, também latinos. Pouco depois, me chegou Borges pelas mãos de uma ex-futura namorada. Na minha primeira viagem para a Argentina, me encantei com Cortázar. Nosso encontro se deu em uma promoção da livraria Ateneu por ocasião de uma data comemorativa qualquer. Li seus livros um após o outro.
Digo, ainda que em voz baixa, que prefiro Cortázar a Borges. Mas sei que posso apanhar por esse comentário. Uma amiga da minha mãe, chilena, ao arrumar o armário para se mudar me regalouvelhos e usados livro de Neruda. Outros de Isabel Allende, mas essa eu deixei de lado. Assim, ocasionalmente, sem projeto ou propósito, fui conhecendo pouco a pouco os escritores de língua hispânica, ou castelhana, como queiram. Claro que meu interesse pela língua ajudou a acelerar as leituras. Assumir o idioma de um autor é tão difícil quanto revelador de novas descobertas e prazeres.
Lástima que só me encontrei com Benedetti naquele dia fatídico. A comoção profunda causada pelo seu falecimento e as manifestações que se seguiram expunham algo que envolvia sua literatura. A capacidade de sua pluma em desvelar a sociedade uruguaia. Sua percepção crítica o levou a ser chamado de “cronista de Montevidéu”. A postura política era clara: estava à esquerda. Sua trajetória o fez ser adotado como símbolo da luta pela transformação social. Apoiou a Frente Ampla,que agora está no poder.
Como comentou Constanza Moreira, o seu legado foi o de “haber descrito com uma pluma sin igual, al país de las clases medias: conservadoras, resignadas, desapasionadas, oficinescas”. Talvez seja justamente por isso que eu, afogado nesta classe média latino-americana, pude tão rapidamente me identificar com seus escritos. Assim, estamos nos tornando cada vez mais íntimos. Logo vou retirar os Ud. de nossas conversas. Usarei o “vos”, para ficarmos mais próximos. Quem sabe, até mesmo, ousar chamá-lo de Mario. Assim, Gracias Por El Fuego.

