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  • Sobre Mia Couto: email de uma aluna

    Sobre Mia Couto: email de uma aluna

    Ontem, por motivos diversos, não pude fazer um debate sobre um texto do Mia Couto que havia programado para uma disciplina curso de Psicologia… E qual não foi a minha surpresa quando abri o meu email  e encontrei esse texto da Marina Campos. Vale a a reflexão.

    (…) eu gostaria de comentar sobre a leitura sugerida para a aula. O texto do Mia Couto “Línguas que não sabemos que sabíamos”.

       Eu nunca havia lido nada de Mia Couto e confesso que achei o texto perfeito e acredito que daria espaço para uma boa discussão do tema que aborda uma forma de pensar a língua muito abrangente, muito além do simples falar ou ouvir o que se fala. Ele traz uma crítica ao sistema atual que prende o sujeito a uma cultura única de linguagem e à tecnologia como não sendo um elemento de salvação para o problema de comunicação e entendimento.

       Vai além dos paradoxos de uma língua que supera estereótipos.

       E o homem, diversificado em línguas, pode se tornar um grande ignorante na leitura e no diálogo com os conhecedores da palavra local, e sua grande arma talvez seja a sensibilidade.

       Não sei se esses seriam exatamente os pontos que o professor abordaria em sala porque o texto abre um leque de assuntos sobre a língua. Remete história, cultura, preconceito.

       Mas nos leva para uma visão nova e uma valorização maior da língua.

       Durante uma pesquisa sobre o tema “línguas” encontrei no seu site o tema Lunfardo: “o modo de falar que se opõe a língua”? que fala do “universo do Tango revelando em sua musicalidade uma língua, ou um idioma”…”Uma mescla de idiomas”…”Lunfardo, o idioma de múltiplas origens que expressa vivência”… ”um modo de falar que se opõe a língua comum…”

       Achei que complementou como um exemplo de “liberdade linguística” pelo menos ao meu entendimento (me corrija se eu errei em algo).

    “AO LADO DE UMA LÍNGUA QUE NOS FAÇA SER MUNDO, DEVE COEXISTIR UMA OUTRA QUE NOS FAÇA SAIR DO MUNDO.DE UM LADO, UM IDIOMA QUE NOS CRIE RAIZ E LUGAR.DO OUTRO, UM IDIOMA QUE NOS FAÇA SER ASA E VIAGEM.”

    Desculpe incomodar mas eu precisava falar do texto.

    Marina MF Campos, aluna do 1° semestre de Psicologia da FVR – UNISEPE.

    Imagina! Incomodo nenhum!!!

  • Um Crime político na década 1940

    Um Crime político na década 1940

    • Um Crime Político
    • Mataram Alfonsas Marma
    • Imigração Lituana
    Apresentação do Livro!

    Na narrativa oficial da história da nossa República o fim do período de governo de Getúlio Vargas (1930 – 1945) é denominado democrático. No entanto, um olhar mais acurado sobre o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946 – 1951) nos revela que, apesar da aprovação de uma nova carta constitucional em 1946, esteve longe de ser plenamente democrático, pelo contrário, a repressão política e os crimes políticos foram uma constante. Nesse livro analisamos um crime político: o massacre de Tupã, no qual morreu Alfonsas Marma.

    Capa. Mataram Alfonsas Marma.
    Capa. Mataram Alfonsas Marma.

    Durante o período Dutra estima-se que aproximadamente 50 militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) tenham sido assassinados pelas forças repressivas do Estado. Muitas dessas histórias e desses personagens permanecem desconhecidos da nossa sociedade, longe tanto da nossa história, como da nossa memória política. Memória essa que ficou ainda mais distante quando a Comissão da Verdade, decidiu, após receber pressão de organizações sociais e intelectuais, que seriam investigados os crimes políticos cometidos somente durante o Regime Militar.

    Não quero aqui reacender esse debate! Mas vale lembrar que o principal argumento era que não se deveria misturar o que ocorreu em um período de exceção, autoritário, com um período de liberdade democrática. Bom, considerando o período Dutra essa distinção é uma bobagem. Para além, na nossa história republicana, o assassinato político, sempre foi mais uma regra do que uma exceção. No mais, no Brasil sabemos que é possível reunir regra e exceção, democracia e autoritarismo ao mesmo tempo.

    Um crime político no governo Dutra

    O governo Dutra foi em tese pautado pela aprovação de uma nova constituição e de um processo eleitoral que não só deu legalidade ao Partido Comunista Brasileiro como fez de Luís Carlos Prestes um vitorioso nas urnas. Eis que uma armação política realizada pelo PTB recolocou o PCB na ilegalidade e todos os representantes legitimamente eleitos foram caçados. A partir desse momento o que se viu foi que a polícia política, como o Deops em São Paulo, deu início a uma implacável perseguição aos militantes políticos do PCB.

    Esse é um ponto a ser notado. A ruptura de regime do Estado Novo (1937 – 1945) para a democracia não significou uma mudança nas estruturas das instituições. Ou seja, as mesmas práticas, e os mesmos indivíduos, que atuavam na repressão durante o varguismo continuaram a atuar no governo Dutra. Essa manutenção das instituições repressivas e até mesmo o seu aprimoramento é que permitiram uma repressão tão feroz.

    Especificamente no caso de São Paulo, durante o governo de Adhemar de Barros o Deops, passou por mudanças estruturais sendo mesmo criada uma Delegacia de Expulsandos, mais tarde renomeada para que o propósito de deter e expulsar estrangeiros não ficasse tão evidente.

    Mataram Alfonsas Marma

    Se a Comissão da Verdade não fez o processo de investigação dos crimes políticos no pós-Varguismo cabe a nós historiadores fazermos. Eis, portanto, a pequena contribuição que quis oferecer com a história de um dos assassinatos cometidos pela polícia durante o processo repressivo de 1948-1949. Procurei traçar na forma biográfica a trajetória do imigrante lituano Alfonsas Marma que desde jovem participou das atividades políticas e sociais entre os lituanos na cidade de São Paulo.

    Aprendeu a função de gráfico ao trabalhar em diversos jornais. Foi preso e expulso do Brasil em 1930. No Uruguai, onde se estabeleceu, ajudou na formação dos principais jornais em idioma lituano naquele país. Retornou clandestinamente e voltou a atuar nas principais organizações e jornais lituanos até ser novamente preso e, após ser libertado, assassinado pela polícia.

    Essa é apenas uma das mais de 50 histórias que ainda devem ser recuperadas para que possamos entender melhor a nossa República, a nossa história política e o lugar que a violência e os crimes de Estado ocupam nessa.

    Referência:

    E.R.G. ZEN. Mataram Alfonsas Marma. Imigração, Comunismo e Repressão. Rio de Janeiro: Aped, 2015.

    Para Adquirir

    O livro pode ser adquirido AQUI