Tag: Crônica

  • Lista de Músicas sobre o Harlem

    Lista de Músicas sobre o Harlem

    Hoje, amanheci com falta de inspiração. Acontece as vezes, mas acontece! Então, fiquei pensado em alguma coisa para escutar e recuperar a vontade de escrever e me dei conta de que depois de ter encontrado muitas músicas sobre Nova York postei poucas sobre o bairro que eu moro:  Harlem. Aqui vai uma lista de músicas sobre o Harlem

    OBS: Harlem Shake não é do Harlem!!!

    Ok! Depois eu coloco outras….

  • Os Outros Esquecidos: Monumentos ao Exército Vermelho

    Os Outros Esquecidos: Monumentos ao Exército Vermelho

    Por Dr. Erick Reis Godliauskas Zen

    Twitter: @erickrgzen

    • A memória na Lituânia
    • Monumento ao Exército Vermelho
    • Memória oficial sobre o comunismo

    Em diversas cidades da Lituânia um incômodo monumento está à vista de quem queira ver: Os cemitérios dos combatentes do Exército Vermelho que caíram ao longo da sangrenta campanha que se arrastou no país. Um duplo sentimento se estabelece. Por um lado, são a celebração da vitória contra o nazismo e a ocupação alemã. Por outro, era o estabelecimento do regime comunista na Lituânia e a sua integração a União Soviética.

    Durante o período soviético, esses cemitérios foram cuidados, preservados, e eram até mesmo lugares de celebração. Com o fim do regime, virou um incômodo, pois se criou ao longo das últimas décadas uma memória e uma história oficial antissoviética – não raramente antiesquerda, como forma de afirmação da independência.

    Nos livros de história, o comunismo é sempre apresentado como algo externo aos lituanos. Como se não houvesse lituanos comunistas e quando estes trabalharam em prol da União Soviética são chamados de colaboracionistas, da forma mais pejorativa possível. Ou como mero oportunistas. Assim, ser lituano é ser anticomunista e quem escreva contra ou tente discutir – negar – o “genocídio” soviético você pode ser punido, com a mesma lei que pune aqueles que tentam negar o holocausto.

    Ainda não raramente, em muitos livros, se tenta enfatizar a quantidade de “não lituanos” nas organizações comunistas naquele país. Isso equivale a dizer que pela expressiva quantidade de judeus, russos e polacos no Partido Comunista Lituano ele não seria legitimo. Muitas vezes essas referência são feitas de forma discreta, espalhada entre as páginas, mas estão lá.

    Podemos comparar aqui a Lituânia com a Rússia e entendermos a diferença. Os russos incorporaram os “feitos” soviéticos a sua memória e a suas datas cívicas, como o Dia da Vitória, ou ainda todas as vitórias olímpicas e…não menos importante… o mausoléu do Lênin continua no mesmo lugar.

    Na Lituânia, a União Soviética é expelida da memória. Qual o problema? O problema é que isso acaba por esconder a participação de lituanos em sacrifícios e feitos importantes, como derrotar o nazismo. Em Šiauliai, por exemplo, um batalhão inteiro do Exército Vermelho era composto por lituanos – parte da historiografia nega isso afirmando que tinham mais russos – para complicar esse esforço de Guerra como esse batalhão teve como grande suporte os imigrantes lituanos que desde a América, Norte e Sul, enviavam ajuda e contribuições.

    Da mesma forma, os partisans comunistas que lutaram contra a presença nazista são em alguns casos chamados de terroristas e a eles são atribuídas as respostas à ação dos comunistas, numa inversão histórica inaceitável, mesmo para a péssima literatura histórica.

    Assim, aqueles que não se somaram às lutas antifascista e nazista na Lituânia são esquecidos ou difamados. É fato que o regime soviético por todas as atrocidades cometidas, e que não podem ser esquecidas ou negadas, representa um trauma, uma cicatriz que será difícil de fazer cicatrizar e já não estou certo de que deve deixar cicatrizar.

    Mas a ferida aberta não pode infeccionar toda a memória lituana. Desprezar ou ter vergonha de seu passado não ajuda, menos ainda falsificá-lo deliberadamente. Os cemitérios aos combatentes, ainda que estejam com os nomes escritos em russo e não tragam todos os símbolos comunistas, estão ali para lembrar do que foi lutar contra o nazismo. Dos sacrifícios de homens e mulheres que entregaram sua vida contra o fascismo e o nazismo e nisso estavam certos em fazer. Foi um sacrifício que valeu. O que aconteceu depois não pode ser imputado a eles e suas memórias não podem ser desprezadas. Ainda hoje, cemitérios dos combatentes do Exército Vermelho na Lituânia são preservados pela embaixada russa…

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  • Crônica de Um País Alpino

    Crônica de Um País Alpino

    Crônica escrita em 2010.

    Em um dia frio em Kaunas entrei no trem para ir a Vilnius. Mais um dia de trabalho! O Arquivo histórico do antigo Partido Comunista me esperava e eu por ele. Ainda com sono, completamente descolado no fuso horário, me atirei na poltrona nova do trem rápido. Rápido era só o nome da linha e não tem relação com a real velocidade do treco. Olhei pela janela. Gelo no chão. Arvores peladas. Passarinhos escondidos.

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    Na poltrona, do outro lado do corredor, uma menina com mala e mochila virava e revirava um monte de mapas e livretos. Me olhou! Olhou para o mapa! Percebeu que eu era estrangeiro? Com certeza.

    Me olhou novamente e chegou perto. Com um inglês cheio de RRRRRRR e SSSSSS, me perguntou alguma coisa sobre um lugar que eu não tinha a menor ideia de onde ficava. Depois perguntou sobre outro lugar que consegui localizar no mapa. Ela queria ir para a cidade velha em Vilnius, um hostel. Problema resolvido com os mapas. Ficou ali sentada do meu lado. Silêncio constrangedor. Para puxar um papo, fiz aquela pergunta muito útil: de onde você é?

    – Da Eslovênia – me respondeu tirando a franja e arregalando os seus enormes olhos azuis que contrasta com sua pele branca e a sobrancelha negras como seus cabelos longos – Conhece?

    – Não… Nunca fui aos Balcãs…

    – Balcãs? No!!! No, Eslovênia não fica nos Balcãs – me olhou feio. Quase indignada

    – Ahhhhhh. Não?

    – Não! Fica nos Alpes. É um país Alpino!

    Putz ! Além de ignorante me senti velho. Estudei geografia no final da Guerra Fria. Em um tempo em que tudo o que ficava para lá de Berlim era Leste Europeu. Agora o Leste Europeu acabou. Ninguém mais quer ser do Leste. Assim como não querem ser mais Balcãs.

    Os países andam inventando a sua própria geografia para se reinventar no Ocidente. Quanto mais no Ocidente melhor. Ocidente é… Digamos, União Européia. Para os eslovenos, que foram um dos primeiros do “Leste” a serem aceitos na União Européia, é mais interessante inventar uma identificação com a Austria e com a Itália do que com a Sérvia. Viraram Alpino!

    Em Vilnius, você pode ir ao centro da cidade e pedir um diploma autenticado afirmando que você esteve no centro geográfico da Europa. Coisa inútil! Imagina colocar uma coisa dessas na parede da sua casa. A função desse papel é simplesmente afirmar: “não estamos no Leste. Esqueça a União Soviética e aquela geografia”.

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    Crônica de Um País Alpino

    Seja como for, minha ida para Vilnius seguiu silenciosa. A menina voltou para a sua poltrona. Maldita geografia pós-Soviética…

    Para mim, Alpino continua sendo o chocolate duro e doce embrulhado no papel dourado. Assim como o centro da Europa continua sendo Berlim queiram ou não. (isso foi uma ironia!).

  • Desconhecia Mario Benedetti!

    Desconhecia Mario Benedetti!

    Por Dr. Erick Reis Godliauskas Zen

    Twitter: @erickrgzen

    • Escrito em:  4 de junho de 2009, Montevidéu
    • Falecimento do poeta uruguaio
    • Mario Benedetti

    Desconhecia Mario Benedetti! Sinto-me obrigado a confessar minha ignorância e, somente na circunstância de seu velório, pude encontrá-lo. Seu rosto foi estampado em todos os jornais. Eu, atônito, me deparava com um dos personagens mais importantes da literatura e da política uruguaia. Era um feriado cívico chocho e frio. Dia preparado para grandes e eloqüentes discursos, mas o silêncio tomou Montevidéu. A Batalla de las Piedras vencida por Artigas e determinante para a independência daquele país, não tinha qualquer importância. O luto se abateu. Foi um feriado em homenagem a Mario Benedetti.

    Sempre fui um leitor compulsivo. Desde que a minha dislexia foi sendo contornada. O que era uma dificuldade se tornou um dos meus maiores prazeres. Na escola me encontrei com a literatura brasileira e portuguesa. Mas essas logo se transformaram em livros para o vestibular. As aulas de literatura, que deveriam ser uma porta de entrada para humanização, foram prostituídas em enfadonhos preparos para a fuvest.

    Não nego o esforço de alguns mestres para que fosse um pouco mais que isso. Contudo, os livros selecionados eram os da lista das provas e não constava literatura em língua espanhola. Em casa, talvez por minha ascendência, era mais fácil encontrar a literatura européia, particularmente da Europa Oriental. Considerando que a Rússia faz parte da Europa. Desde cedo os clássicos russos, Dostoievski, Tchekov, Tolstoi e assim por diante começaram a fazer parte do meu repertório. Mas os escritores latino-americanos eu fui conhecer no fim da faculdade com mais de vinte e cinco anos de idade.

    Não me lembro exatamente como, ou porque, resolvi ler Cien Años de Soledad, talvez pelo prêmio Nobel de Gabriel García Márquez. Desgraçadamente, o reconhecimento europeu, muitas vezes, ainda é o caminho para valorizar e conhecermos nossos vizinhos, também latinos. Pouco depois, me chegou Borges pelas mãos de uma ex-futura namorada. Na minha primeira viagem para a Argentina, me encantei com Cortázar. Nosso encontro se deu em uma promoção da livraria Ateneu por ocasião de uma data comemorativa qualquer. Li seus livros um após o outro.

    Digo, ainda que em voz baixa, que prefiro Cortázar a Borges. Mas sei que posso apanhar por esse comentário. Uma amiga da minha mãe, chilena, ao arrumar o armário para se mudar me regalouvelhos e usados livro de Neruda. Outros de Isabel Allende, mas essa eu deixei de lado. Assim, ocasionalmente, sem projeto ou propósito, fui conhecendo pouco a pouco os escritores de língua hispânica, ou castelhana, como queiram. Claro que meu interesse pela língua ajudou a acelerar as leituras. Assumir o idioma de um autor é tão difícil quanto revelador de novas descobertas e prazeres.

    Lástima que só me encontrei com Benedetti naquele dia fatídico. A comoção profunda causada pelo seu falecimento e as manifestações que se seguiram expunham algo que envolvia sua literatura. A capacidade de sua pluma em desvelar a sociedade uruguaia. Sua percepção crítica o levou a ser chamado de “cronista de Montevidéu”. A postura política era clara: estava à esquerda. Sua trajetória o fez ser adotado como símbolo da luta pela transformação social. Apoiou a Frente Ampla,que agora está no poder.

    Como comentou Constanza Moreira, o seu legado foi o de “haber descrito com uma pluma sin igual, al país de las clases medias: conservadoras, resignadas, desapasionadas, oficinescas”. Talvez seja justamente por isso que eu, afogado nesta classe média latino-americana, pude tão rapidamente me identificar com seus escritos. Assim, estamos nos tornando cada vez mais íntimos. Logo vou retirar os Ud. de nossas conversas. Usarei o “vos”, para ficarmos mais próximos. Quem sabe, até mesmo, ousar chamá-lo de Mario. Assim, Gracias Por El Fuego.

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