Ucrânia, respondendo as pergunta que mais tenho recebido.

Os Ucranianos não precisam ser perfeitos para terem direito a um Estado nacional independente.

  • Existem grupos fascistas na Ucrânia?

Sim! E são perigosos para cacete! Eles chegaram a formar milícias armadas para lutar nas regiões ocupadas pela Rússia.

  • Eles representam a sociedade ucraniana?

Não, inclusive nas últimas eleições a extrema direita não elegeu parlamentares. Partido de extrema direita não tem voto na Ucrânia, ao contrário de todos os países da Europa Ocidental.

  • O governo Ucraniano é fascista ou nazista?

Não! E é curioso que o único governo no mundo (fora Israel) que tem Presidente e Primeiro Ministro judeus seja chamado de nazista.

  • Mas o governo da Ucrânia não deveria ter combatido os grupos extremistas?

Sim, o problema é que como eles enfrentaram os separatistas russos (financiadora e apoiados pelo Kremlin) e a entrada do exército da Ucrânia poderia começar uma guerra com a Rússia. As milícias extremistas foram frente nos combate, o que significou sim produzir vítimas civis nas regiões ocupadas pela Rússia.

  • Isso deu certo?

Como você está vendo, deu muito errado!

  • O governo da Ucrânia tomou medidas contra a população russa, praticou extermínio de russos?

Não! Embora tenha reforçado o ensino e as escolas Ucranianas e colocado idioma ucraniano como centro das suas políticas, pois os governo anteriores, por serem fantoches da Rússia, deixavam a russificação do país comer solta. Lembrando. O presidente da Ucrânia é da comunidade russa e o ucraniano é o seu segundo idioma. Ele teve que melhorar o ucraniano para disputar eleições. Seu último apelo para o Putin foi em russo em rede nacional.

  • Por que Putin fala em defesa dos russos?

Putin faz questão de confundir interesses do Kremlin com o da população russa. Quando Ucrânia, Letônia e Estônia, combatem a influência do Kremlin, Putin faz o discurso de que a população russa nesses países estão ameaçadas.

  • A guerra é para combater o fascismo?

Não! A guerra se dá pelo expansionismo do imperialismo russo e por estratégia de disputa geopolítica.

  • Então, por que se fala tanto em Fascismo?

Propaganda Russa, oportunismo e saudosismo soviético. Vale lembrar que taxar de nazista qualquer manifestação política e / ou cultural era parte da técnica de propaganda soviética, para justificar a eliminação.

Gostaria de lembrar que o fascismo, o nazismo e o antissemitismo são forças políticas atuantes e perigosas em todo o continente europeu. Basta você olhar as eleições na França, por exemplo, que tem dois candidatos de extrema direita disputando (um perdeu apoio por nomeações estranhas no seu gabinete). Mas a Le Pen tá lá… E temos que torcer para o Mácron vencê-la.

Portanto, a extrema direita é sim um problema europeu e muito perigoso, mas não é “A” grande questão para entender a invasão da Ucrânia, pela Rússia.

  • Devemos considerar o presidente da Ucrânia um herói?

Não! Esse papo de herói na política nem deveria existir. Ele sim surpreendeu pelas posturas que tomou e soube muito bem lidar com a comunicação, o que é um fator importante. Ele teve a habilidade de criar uma momentânea unidade nacional, o que sim é um mérito. No entanto, é preciso tomar cuidado com diversas decisões que tomou, como, por exemplo, usar milícias e liberar criminosos. Ainda que seja guerra e sobrevivência, não é qualquer coisa que passa a ser aceitável.

  • Por que os reacionários no Brasil falam em “ucranizar” o Brasil?

Porque os reacionários são burros. Eles pegaram os grupos fascistas na Ucrânia e sua simbologia e copiaram como se fosse a realidade do país e não de grupos políticos milicianos.

  • Por que o Sérgio Moro falou em tribunal como na Ucrânia?

Sei lá! Eu tenho dificuldades e pouca paciência para entender as lógicas e não lógicas deste senhor e também pouca paciência com as suas exposições e entrevistas.

Sobre o judiciário na Ucrânia, podemos dizer o seguinte de forma bem simplificada. Como os governos anteriores na Ucrânia eram ligados à oligarquia russa (incluindo o judiciário) e envolvidos nos processos de privatização e em esquemas de corrupção, o governo da Ucrânia teve que refazer as suas instituições (inclusive o judiciário) para poder diminuir o poder da oligarquia russa e poder assim punir aqueles que estavam controlando na base dá corrupção a economia e a sociedade da Ucrânia. Como você percebe não é possível tirar disso analogias com o Brasil, ao menos no meu entender.

Por fim, mas não menos importante, o Brasil vive um momento político complicado, mas isso não significa que o universo gire em torno da nossa disputa eleitoral, portanto não tente encaixar a Ucrânia na lógica da política brasileira, ou a lógica da política brasileira na Ucrânia.