Cuba discute o maior pacote de reformas econômicas desde a Revolução de 1959. O plano inclui mais de 170 medidas que ampliam o espaço para a iniciativa privada, incentivam investimentos estrangeiros, flexibilizam empresas estatais e aprofundam a dolarização da economia.
Entre as propostas estão a possibilidade de venda de participações em empresas públicas, ampliação das pequenas e médias empresas privadas, maior autonomia para definição de preços, modernização do sistema financeiro e até autorização para atividades antes restritas ao Estado.
As reformas surgem em um contexto de grave crise econômica. A ilha enfrenta escassez de combustível, apagões prolongados, baixa produtividade, falta de divisas e crescente deterioração das condições de vida da população. Diante desse cenário, Havana busca incorporar mecanismos de mercado para recuperar crescimento e atrair capital.
Do ponto de vista geopolítico, o movimento aproxima Cuba de trajetórias já observadas na China e no Vietnã. Nesses casos, a adoção de instrumentos capitalistas ocorreu sem uma transição para o pluralismo político ou para a democracia liberal. O mercado foi incorporado, mas o controle político permaneceu concentrado.
Por isso, a principal questão não é econômica, mas política. A abertura ao mercado e ao capital estrangeiro não deve ser confundida com um processo de liberdade ou democratização. Como observou Marx, o capital é “cego e automático”.
A experiência chinesa e vietnamita demonstra que é possível trocar a economia planificada pela economia de mercado sem derrubar o monolítico aparato do Partido Comunista. As bandeiras continuam hasteadas, os discursos permanecem revolucionários, os rituais seguem intactos, enquanto o capital circula livremente e determinadas elites acumulam cada vez mais riqueza e poder.
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O fim do “socialismo” cubano?