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  • Fronteiras Invioláveis: A Posição do Northern-Baltic Eight sobre a Ucrânia

    Fronteiras Invioláveis: A Posição do Northern-Baltic Eight sobre a Ucrânia


    Contexto da declaração conjunta

    O que é o Northern-Baltic Eight?

    Relação do grupo com a OTAN e a segurança europeia

    Consequências geopolíticas da posição adotada


    O Northern-Baltic Eight (NB8) reúne Dinamarca, Estônia, Finlândia, Islândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia. Trata-se de um fórum regional de cooperação política e econômica que, embora não seja uma organização formal com tratado constitutivo, atua de forma coordenada em questões de segurança, diplomacia e integração europeia.

    O grupo é formado por países nórdicos e bálticos que compartilham interesses estratégicos no Mar Báltico e no Ártico, áreas de crescente importância geopolítica.

    A declaração recente do NB8 reafirma que as fronteiras internacionalmente reconhecidas da Ucrânia são invioláveis e não podem ser alteradas pela força.

    O texto defende que a paz só será possível por meio de diplomacia firme, apoio militar e econômico contínuo à Ucrânia e pressão constante sobre a Rússia para interromper sua ofensiva.

    Os líderes ressaltam que qualquer negociação só deve ocorrer após a implementação de um cessar-fogo efetivo, de forma a preservar os interesses de segurança da Ucrânia e da Europa.

    O posicionamento do NB8 também reflete o alinhamento estratégico da maioria de seus membros com a OTAN. Atualmente, todos os oito países integram a Aliança Atlântica, com a Islândia, Dinamarca e Noruega como membros históricos, enquanto Estônia, Letônia e Lituânia aderiram em 2004, e Finlândia e Suécia se tornaram membros recentemente, em 2023 e 2024. Essa integração fortalece a capacidade de defesa coletiva e a interoperabilidade militar, permitindo respostas coordenadas diante de ameaças como a guerra na Ucrânia.

    A posição do grupo é um sinal político claro para Moscou e para a comunidade internacional de que qualquer tentativa de legitimar a ocupação de territórios ucranianos seria inaceitável, violaria o direito internacional e criaria precedentes perigosos. Aceitar a anexação de territórios obtidos pela força poderia encorajar novos conflitos e minar a estabilidade do sistema internacional.

    O fortalecimento da atuação do NB8 ocorre em paralelo à intensificação da presença militar da OTAN no flanco norte e leste da Europa. O Mar Báltico, agora cercado quase totalmente por países da Aliança, tornou-se um ponto crítico de dissuasão contra avanços militares russos.

    Além disso, a cooperação entre NB8 e OTAN vai além do campo militar, abrangendo cibersegurança, proteção de infraestruturas críticas e vigilância no Ártico.

    Essa sinergia amplia o alcance político e militar do grupo e demonstra que, no atual cenário internacional, alianças regionais funcionam como multiplicadores de poder dentro de estruturas multilaterais maiores.

    Referências

    Ministério das Relações Exteriores da Estônia. Declaração conjunta do Northern-Baltic Eight sobre a Ucrânia. [Disponível em: https://vm.ee%5D

    Organização do Tratado do Atlântico Norte. Membros e datas de adesão. [Disponível em: https://nato.int%5D

    Conselho Nórdico de Ministros. Cooperação NB8. [Disponível em: https://www.norden.org%5D

  • Pós-política: Direita e Esquerda

    Pós-política: Direita e Esquerda

    • Conceito de pós-política
    • impacto na política
    • pós-polítca e democracia

    Para compreendermos a nossa sociedade, os cientistas sociais formulam conceitos que possibilitam definir e entender características da nossa contemporaneidade. Atualmente, um conceito que começa a ser utilizado com mais frequência é o de pós-política. O que é pós-política? Como ela nos ajuda a entender o nosso momento político?

    Certamente, você já escutou pessoas afirmarem que não são: “nem de direita e nem de esquerda”. Que suas decisões e seus princípios são somente técnicos. Esse discurso, de valorização da técnica e de negação da política é o que podemos conceituar como pós-política.

    O que é a pós-política?

    A pós-política, ao valorizar a técnica, a boa gestão, a decisão administrativa, esconde no seu discurso a verdadeira opção política do indivíduo. Como se fosse possível para alguém se colocar acima das ideologias, ou acima da dela. Portanto, no discurso da pós-política, qualquer embate político e ideológico, é visto como negativo, como atraso ou desnecessário.  

    Por isso, políticos que se utilizam do discurso da pós-política tem por hábito acusar o outro de serem ideológicos. Assim, esses mesmo políticos estariam fora destes debates. Eles se consideram mais racionais e acima das disputas ideológicas.

    O problema da pós-política é que ela tem o papel de enganar aqueles que participam dela. Ela serve unicamente para mascarar um ponto de vista, uma ideologia. Assim, para esconder as verdadeiras posições diante das questões sociais. O pós-político se apresenta como técnico, quando, de fato, a sua verdadeira intenção estão dissimuladas, mascaradas, escondidas em planilhas, dados e distorções da realidade. Essa postura, tem por objetivo impedir o debate político. Sufocar as escolhas que a sociedade pode fazer.

    O debate e a Democracia

    Em uma democracia liberal, no Estado de Direito, a pós-política é perigosa, pois impede os debates de diferentes ideias, de diferentes opções que podem surgir em muito dos debates, sobre qualquer tema relacionado ao Estado ou a sociedade. A democracia, em uma perspectiva liberal, é justamente o debate, o conflito entre ideias e ideologias que se opõe e, dentro de um conjunto de regras consensualmente aceitos, disputam o seu espaço de poder sem eliminar a outra. Portanto, a anulação do debate por meio do tecnicismo, ou da negação da ideia do outro acaba por anular a própria política e por consequência a democracia.

    A consequência da pós-política é invariavelmente o autoritarismo, mesmo que disfarçado de uma democracia formal, pois a democracia precisa da política para ser efetiva. O autoritarismo, disfarçado de técnica e a negação da ideia do outro, nada mais é do que a imposição da vontade de um grupo sobre os outro. Resultando na negação, das vozes dissidentes, negando a oposição. Portanto, lembre-se, quando alguém se apresentar como neutro, como nem de direita ou de esquerda, quando alguém criticar a sua ideia como “ideológica”, está se usando a pós-política para impor a sua vontade e negar a sua voz e impor a sua vontade.

    Sugestões de vídeos e leituras.

    Vídeos:

    Artigos:

    Bucci, E. (2018). Pós-política e corrosão da verdade. Revista USP, (116), 19-30. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9036.v0i116p19-30.