Nos últimos dias, com a invasão da Ucrânia ordenada por Putin, uma série de debates tem ocorrido pela mídia e pelas redes sociais. Nelas, influenciadores da esquerda tem diretamente defendido a Putin, ou usando um frágil “doisladismos”, para criticar a Otan e Putin, ao mesmo tempo. Em meio a guerra, Putin se tornou um urso na sala. Como isso pode ter acontecido?

No final da década de 1990 e início de 2000, o desespero com o avanço do neoliberalismo chegava ao desespero. O Brasil fez a maior dívida da história do capitalismo (até então) para não quebrar, a Argentina quebrou! 

Tínhamos medo de mais um governo neoliberal, da ALCA, quem não gritou “Alcaralho” com o FMI, não era gente! A ideia de um mercado único é devastador para as economias da A.L era uma ameaça e sentíamos o seu efeito devastador. 

Com isso, a esquerda se aliou a qualquer coisa que se opusesse ao neoliberalismo. Foi assim que a esquerda se aproximou do militar Chávez, dos Kirchners, da China e de Putin e esse PT (meia bomba) da Carta ao povo Brasileiro. 

Era a ideia de um movimento contra hegemônico, absolutamente necessário. Fechamos os olhos para os defeitos e problemas como uma aliança  contra uma desgraça que era (é) cotidiana. E não estava errado! Aqui não é exercício de meia culpa. Era o que tinha que ser feito e pronto! 

O problema é que a história não fica parada e logo os defeitos, para os quais fechamos os olhos, porque já estavam lá, nos jogaram no pesadelo que vivemos. Uma China dominante, uma ditadura do Maduro, o personalismo e fracionamos do Peronismo, um Putin autoritário, homofóbico, expansionista. Agora temos que fazer a pergunta preferida da direta: E o PT hein?

Bom, depois de três mandatos e poucos, com todas as políticas sociais e um momento de crescimento econômico, o PT não foi capaz de superar a lógica neoliberal. Ele foi uma espécie de tampa de bueiro. Quando tiraram a tampa, a sujeira e as baratas saíram para festa. Enfim, o PT continua meia bomba, agora propõem voltar ao poder com Alckmin e tudo…

Daí temos duas possibilidades: brigar e fechar os olhos com o que está na nossa cara ou entender o processo e pensar outros caminhos. Esses caminhos podem demorar para aparecer, por agora seguimos tentando evitar o pior. Nesta busca por tentar evitar o pior, deveríamos ter aprendido as lições do começo do século e não pretender defender o indefensável.