A política não é mais sobre entender. É sobre sentir! Esse título é uma provocação, mas me acompanhe, por favor. Vejo a maior parte dos meus amigos inconformados, e sou solidário a eles, com toda essa irracionalidade e estupidez que nos cerca nesses dias difíceis. Justo! Mas observe. Vocês estão reagindo fazendo campanhas de esclarecimento. Oferecendo argumentos racionais para lidar com o que aparece como irracional.

No entanto, e eis a questão, a política nesse tempo de radicalismo está sendo guiada pelo sentir e não pelo pensar. Por isso, os argumentos racionais estão batendo em uma parede impenetrável. Eu sei que a política sempre foi carregada de sentimentos, mas o que temos aqui é que a mídia, as novas formas de comunicação, trabalham com o sentir e não mais com o pensar.

Sentimento e mídia

Hoje, a televisão não te diz mais o que você deve pensar, mas o que você deve sentir. Vocês devem se lembrar quando os Titans cantavam: “a televisão me deixou burro, muito burro de mais”, pois bem! Agora, a televisão não te deixa burro, ela te deixa paranóico, histérico, sentimentaloide, amedrontado… A televisão, hoje, trabalha com o pavor e não mais com a ignorância. O mesmo para todas as outras mídias e formas de comunicação.

Portando, os gráficos, esquemas, longas explicações que apelam à razão não chegam naqueles que estão mobilizados por sentimentos. Por isso, o líder carismático, pode fazer um discursos totalmente irracional e sem coerência interna nenhuma, se uma ou duas frases desse discurso mobilizarem sentimentos. Ele te diz o que você deve sentir!

Assim, a análise do discurso do líder carismático deve buscar essas frases, esses pontos e não a sua lógica ou a coerência. Observe os apelos a libido, ao medo, ao ódio e sobretudo a sexualidade (que é uma sínteses de tudo isso), que pode ser simplificado na frase:

– “Você vai virar viado!”

A Política e o medo. O medo da política

Nos momentos de medo, frustração, isolamento, tédio, ansiedade, etc. Esses apelos sentimentais são ainda mais ressonantes. O medo é o sentimento mais fácil de ser mobilizado. É o mais irracional! Por que?Porque o medo foi fundamental para que nós nos tornássemos a espécie dominante. O medo é parte de nós. Nós assumimos sempre a pior hipótese. É parte do nosso cérebro:

Se o mato está se mexendo é melhor que você assuma que ali tenha uma onça. Se não tiver você só gastou energia para correr. Se for uma onça você teve chance de se salvar. Se você assumir que é vento e tiver uma onça você está morto! Assim, sobrevivemos! Assumindo que sempre há uma onça. Mas o medo, tão nosso, pode ser manipulado e estimulado se alguém ficar gritando: onça, onça. E digo mais: Onça! Você sempre vai correr.

Ao aprender a manipular medos e sentimentos, as redes sociais, mídias e aqueles que aprenderam a lidar com ela souberam estimular o medo. Vivemos com medo e o medo não permite ser analítico. O medo supera a análise! Quais medos?Medo de se descobrir gay, vai ter o machão! Medo de ser governado pelo desconhecido, medo de ter que viver outra forma de vida, medo de morrer sem entender o motivo…

O desafio é como quebrar esse medo? Como superar essa irracionalidade estimulada pelo medo? Eu proponho que a forma de não sentir medo é pela revolta! Sejamos revoltados.