Logo no início da invasão da Ucrânia pela Rússia, o Presidente Lula foi ao twitter se posicionar sobre o conflito. Desde o início, Lula defendeu a paz e a busca por ela, em uma postura correta e digna de estadista que não deixa dúvidas ou meias palavras sobre o seu posicionamento. Apesar da postura adequada, quando Lula foi ao twitter, no dia 03 de março ele deixou uma incomoda observação que aqui gostaria de explorar, sobre a presença da OTAN na região.

O Presidente Lula afirmou: “É inadmissível que um país se julgue no direito de instalar bases militares em torno de outro país. E é absolutamente inadmissível que um país reaja invadindo outro país.”

Na sua soberania, um país pode aderir a aliança, união e tratado que julgar pertinente para a sua manutenção e desenvolvimento. Essa adesão é ainda mais legítima, quando são realizadas por países democráticos e no Estado de Direito. Esse foi o caso dos três membros da OTAN que fazem fronteira com a Rússia, os países bálticos: Estônia, Letônia e Lituânia.

A adesão da Lituânia, por exemplo, a OTAN e a União Europeia foi realizada por meio de um legítimo plebiscito, após amplo debate público. Comparar a adesão a uma aliança militar a uma agressão a soberania é de uma lamentável estupidez. 

Vale ainda acrescentar que os países bálticos convivem com sistemáticas agressão por parte da Rússia. A própria imprensa russa, como a RT e Sputnik tinha até a pouco tempo o orgulho de vincular imagem de aviões de bombardeio passando sobre os países bálticos até ser interceptado pelos aviões da OTAN, como propaganda militar. Ainda no plano militar, exercícios de guerra próximos a fronteira na terra e no mar também foram sistemáticos, bem como a instalação de bases permanentes na Belarus. 

Além dessa forma de ataque, invasões de hacker, atribuídos a Rússia, são tão sistêmicos nos países bálticos que estes se tornaram especialistas em lidar com eles (empresas e startups de tecnologia se instalaram na região). 

Durante a pandemia, a imprensa em idioma russo nos países bálticos fez aberta campanha contra as vacinas produzidas no ocidente criando dificuldades para a vacinação coletiva. Outros ataques de sabotagem foram realizados em empresas de transporte, como na construção do trem que liga Tallinn (Estônia) a Vilnius (Lituânia). Além das várias tentativas de intervenção em processo eleitoral, conforme acusações que circulam na imprensa dos três países.

A postura agressiva de Putin aos seus vizinhos no ocidente é amplamente documentada e verificável. Agressividade essa a ponto de Finlândia e Suécia começarem a debater sobre a sua posição de neutralidade, mantida mesmo durante a Guerra Fria.  Lamentável, os tuites do senhor Lula sobre a Guerra na Ucrânia.

Mesmo com a presença da OTAN, frases como: “primeiro a Ucrânia, depois o Báltico” começaram a circular. Essa tensão passou a ser tão forte a ponto dos três países terem que começarem a rejeitar a afirmativa, com medo de perder investimentos. E qual a garantia que se pode dar que eles permanecerão em paz e sem guerra? O principal argumento tem sido justamente a presença da OTAN e a integração a União Europeia. Não por acaso, o mesmo objetivo da Ucrânia.

A paz, conforme almejada por Lula e as pessoas de bom senso, deve ser buscada, mas ela se torna difícil, quando se está em um ambiente de intranquilidade e com tantas história traumáticas de guerras e ocupações.