ERICK REIS GODLIAUSKAS ZEN

Um blog sobre História e Geopolítica

Memorial da Resistência

MEMORIAL DA RESISTÊNCIA DE SÃO PAULO

Memorial da Resistência de São Paulo. Largo General Osório, 66. Luz Entrada franca CEP 01213-010 – São Paulo – SP. Telefone: 55 11 3335 4990   memorialdaresistencia@pinacoteca.org.br

O PROJETO

O projeto do Memorial da Resistência de São Paulo foi desenvolvido visando a remodelação do antigo Memorial da Liberdade, na Estação Pinacoteca, com vistas a expansão de sua perspectiva preservacionista e ampliação de seu potencial educativo-cultural. Trata-se de um projeto voltado para a musealização da memória da resistência e da repressão, a partir da apropriação de um segmento do edifício que serviu, entre 1940 e 1983, para sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo, Deops-SP. Com dinâmica própria, o Memorial da Resistência estará integrado aos movimentos e instituições, nacionais e estrangeiras, dedicados ao fortalecimento das práticas democráticas e preservadores de espaços testemunhos das lutas pela liberdade. Através de estratégias museológicas e pedagógicas, pretende-se contribuir para a construção da memória e da história política do país, com enfase na questão dos mortos e presos desaparecidos durante a Ditadura Militar.

 Entre junho de 2008 e janeiro de 2009, o PROIN esteve envolvido com o projeto de criação do Memorial da Resistência a ser instalado no prédio da Estação Pinacoteca, espaço ocupado pelo Deops-SP entre 1940-1983. Atendendo ao convite de Marcelo Mattos Araujo, diretor da Pinacoteca, o projeto foi desenvolvido pela museóloga Maria Cristina Bruno (MAC-USP) e Maria Luiza Tucci Carneiro (DH; FFLCH-USP). Apresentado com base em propostas conceituais e metodológicas, este projeto teve como objetivo a remodelação do espaço até então conhecido como Memorial da Liberdade. A alteração do nome para Memorial da Resistência ocorreu oficialmente no dia 1 de maio de 2008. Trata-se de um projeto dedicado a reconstituir a história e a memória da repressão e da resistência tendo como espaço-símbolo a antiga sede do DEOPS, hoje ocupado pela Estação Pinacoteca. O historiador Erick Reis Godliauskas Zen participou diretamente da equipe de pesquisa histórica na qualidade de pesquisador do PROIN. O núcleo principal do projeto já foi executado possibilitando a inauguração do Memorial da Resistência no dia 24 de janeiro de 2009. Neste mesmo dia, o PROIN inaugurou a exposição temporária Círculo fechado: os japoneses sob o olhar vigilante do DEOPS/SP, com curadoria de Boris Kossoy e pesquisa de Márcia Yumi Talkeuchi. (em memória)

Agradecemos a referência ao meu trabalho e empenho no Memorial do Imigrante pela Dra Maria Luiza Tucci Carneiro no livro: MEMORIAL DA RESISTÊNCIA DE SÃO PAULO

 pag. 197

 “Optamos por trabalhar alguns conceitos sem esgotar o assunto, tendo em vista o espaços físicos disponíveis no Memorial da Resistência. Procuramos selecionar farta documentação histórica pesquisada em diferentes arquivos brasileiros, oferecendo uma síntese das histórias da repressão e da resistência, indicadores da nossa memória política. Cumpre nomear a importante contribuição teórica e metodológica dada pelo historiador Erick Reis Godliauskas Zen que, durante meses, nos auxiliou na seleção, reprodução e autorização de usos de documentos e imagens aplicadas em vários espaços do Memorial da Resistência. Os textos apresentados para definir os eixos temáticos foram redigidos em parceria com esse historiador e pesquisado do Proin, hoje doutorando em História Social  no Departamento de História da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas – FFLCH-USP.”

pag. 196

 “A pesquisa histórica para a composição dessa cronologia ilustrada esteve sob minha coordenação e foi desenvolvida com a colaboração do historiador Erick Reis Godliauskas Zen, tendo como referência a documentação identificada junto ao Fundo DEOPS/SP, Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e Arquivo Nacional do Rio de Janeiro entre outros acervos. Os Bancos de Dados desenvolvidos pelo Projeto Integrado Arquivo Público do Estado/Universidade de São Paulo (PROIN) serviram de base para a programação visual implementada pela Zol Design, sob a coordenação de Renato Salgado.”

Projeto Museológico

Coordenação – Marcelo Mattos Araújo

 Consultoria em Museologia – Maria Cristina Oliveira Bruno

 Consultoria em História – Maria Luiza Tucci Carneiro

 Consultoria em Educação – Mila Chiovatto e Gabriela Aidar

 Consultoria sobre o Cotidiano nas Celas do DEOPS/SP – Ivan Seixas e Maurice Politi

 Equipe Técnica de Implantação

 História – Erick Reis Godliauskas Zen

Museologia – Kátia Regina Felipini Neves

 Educação – Caroline Grassi Franco de Menezes

 Apoio – Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, Projeto Integrado Arquivo Público do Estado / Universidade de São Paulo – PROIN, Arquivo do Estado de São Paulo.

O historiador diante do museu.

     Por Dr. Erick Reis Godliauskas Zen

Twitter:@erickrgzen

Participar da elaboração do Memorial da Resistência foi uma tarefa árdua que exigiu dias e noites de dedicação, afinal escrever todos os textos que estão hoje naquele espaço, além de selecionar as imagens da exposição e dos vídeos, não foi uma tarefa fácil. Ainda me lembro de passar longos dias junto a Dra. Maria Luíza Tucci Carneiro, que coordenou a pesquisa histórica, elaborando os conceitos que permitiram dar sentido a proposta do Memorial da Resistência.

Esse trabalho só foi possível, porque contava com uma larga trajetória de pesquisa que o precedia. Vale dizer, ao longo dos anos de atividade do PROIN foram formulados conceitos e definições que agora teriam que ser traduzidos em uma nova linguagem gráfica e auxiliar na produção dos vídeos que compõe a exposição. Os Bancos de Dados que permitem localizar prontuários, bem como imagens  foram de grande valia e, na verdade, foi o que tornou o trabalho possível. Dividimos o trabalho em distintos painéis: A História do edifício, a História do Deops-SP, a Linha do Tempo e os painéis onde são apresentados os conceitos de Repressão, Resistência e Controle.

Para lidar com as continuidades e rupturas nos regimes políticas de nossa História republicana era um desafio. Uma simples linha do tempo não seria suficiente para demostrar a complexidade de cada período. Para além, era preciso demonstrar o quanto nossa História da Republicana é, por um lado, repleta de medidas autoritárias específicas, e por outra, de continuidades na reiteração do controle social. Dai , a necessidade de inovar!

Construímos uma linha do tempo dividida em diferentes níveis temáticos a partir dos conceitos: vigilância, resistência e repressão. Para cada nível apontamos momentos significativos da nossa História. Essa divisão permite distintas abordagens temáticas. Por exemplo, podemos propor uma leitura horizontal, verificando as medidas autoritárias ao longo do tempo. Também é possível uma leitura vertical trabalhando contextos específicos  no plano nacional e internacional. Como os períodos de mudanças de regime político estão demarcados pelas cores é possível abordagens de períodos mais longos trabalhando as leituras verticais e horizontais.

Para que essa arquitetura fosse possível foram necessárias diversas formas e fontes de pesquisa que consumiu um longo tempo de trabalho. Evidentemente que as temáticas ali não estão esgotadas e é sempre possível de ser completada e re-trabalhadas. Definir vigilância, resistência e repressão foi um desafio ainda maior. Ainda que em nossos artigos e trabalhos junto ao PROIN está tenha sido uma preocupação e basta ler os artigos da Dra. Maria Luíza Carneiro para encontra-los, ou ainda de forma parcial na minha Iniciação Científica e mestrado por ela orientados. Contudo, a questão era como  demonstrar esses conceitos em um espaço limitado.

O entendimento e as formas de vigilância resistência e repressão são históricas e é preciso considerá-las em suas diversas formas e, quando possível associar a uma imagem representativa para que o visitante possa melhor registrar aquela impressão. Nesta perspectiva que os textos, bastante sintéticos foram escritos, bem como realizada a seleção de imagens.A apresentação de uma História do Deops-SP, foi uma tarefa desafiante. Ao longo dos seus anos de atividades, o que hoje conhecemos por Deops-SP, teve diversas denominações que correspondia a sua estrutura e da função que lhe era atribuída pelos diferentes regimes políticos. De uma forma geral, podemos dizer que sua estrutura foi se tornando cada vez mais complexa. Diversas delegacias e subdelegadas foram subordinada ao Deops-SP e, com o tempo, foram se tornando cada vez mais especializada. O objetivo era claro, tornar a vigilância e a repressão mais eficiente, permitindo um maior controle social.

Para mostramos essas mudanças construímos uma série de organogramas que encontramos nos dossiês e em livros impressos pela própria polícia que explicavam a estrutura daquele órgão de segurança.

Nesse período houveram importantes rupturas na trajetória institucional, particularmente durante o Estado Novo e Durante a ditadura militar, quando houve uma multiplicação dos órgãos de segurança que teve como marco a Operação Bandeirantes e a formação do DOI-Codi, por exemplo, e que procuramos destacar. 

Para todas essas atividades, passava todo o dia carregando meu computador para cima e para baixo: Dos arquivos para o Memorial, para a faculdade em que dava aula na época, para as muitas reuniões com a Dra. Maria Luíza Tucci Carneiro.

Alguns meses antes da montagem final, por razões diversas, solicitei meu desligamento do Memorial. Contudo, creio que a minha parte da tarefa estava concluída. Espero assim ter contribuído para os debates pertinentes a sua formação.

Lembrar do autoritarismo e da violência que marcam nossa história, bem como da luta contra este é uma tarefa árdua, sobretudo com o fascismo que ainda nos ronda. Chamar a Ditadura Civil-Militar de “ditabranda”, como fez o editorial do jornal a Folha de São Paulo – que se beneficiou e contribuiu diretamente com aquele regime – é um exemplo de como o perigo autoritário ainda nos ronda.

    Esperamos  que o Memorial da Resistência seja apenas o primeiro e que incentive a formação de outros centros de memória….

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