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CHE UN HOMBRE NUEVO. A sala do Cine INCAA é enorme e eu adoro essa formato dos cinemas antigos. Por coincidência, um dos filmes daquele horário era um documentário que eu esperava ansiosamente para ver: Che Un Hombre Nuevo. Tá! Eu sei. Sou um dos cabeludos com barba e tenho umas quatro biografias. E daí?

O documentário é longo, ou parece ser longo. Mistura tentativas poéticas, com leituras de documentos, alguns dos quais inéditos e uma pesquisa histórica fantástica, além dos longos discursos. Imagens raras, como na China ao lado de Mao, de sua infância, suas fotografias, que eram uma paixão e daí por diante.

A narrativa de Che Un Hombre Nuevo

Para aqueles que gostam de discutir este intrigante personagem vale conferir o documentário.

A parte mais bem trabalhada, no meu entender, foi colocar explicitamente que quase no final da vida em seus últimos escritos Che Un Hombre Nuevo propõe uma revisão crítica da obra de Stalin usada como manual de marxismo pelos PCs (Partidos Comunistas) do mundo.

A partir de sua revisão crítica afirma duas coisas: o capitalismo está voltando na URSS e a culpa pelo que deu errado era de….LÊNIN! Ou seja, a Revolução fracassou nas prerrogativas de Lênin e nas suas interpretações de Marx.

E nesse ponto, o documentário é genial, pois mostra a queda do muro de Berlin e o recolhimento da bandeira vermelha associada com a frase “o capitalismo está de volta”. Por que isso é genial? Porque, tudo o que nós vimos em relação à queda da União Soviética e do Muro de Berlim foram associadas à liberdade, fim do autoritarismo e sempre passado com euforia e alegria.

Ali a queda do muro de Berlim e o recolhimento da bandeira vermelha são tristes e em tom de melancólico funeral derrotista: o capitalismo venceu, mas o que estamos comemorando, afinal? Em outras palavras, basicamente subverte todas as imagens construídas do fim da União Soviética desde os anos 1991.

A voz de Che Un Hombre Nuevo e o fato de ele continuar na luta, mesmo sabendo que a derrota se aproximava e com ela a sua morte, faz renascer uma esperança de que talvez essa vitória não seja tão definitiva.