No início de 2021, Analice Martinsson, Ricardo Ferreira e eu demos início a um projeto para debater o sistema ONU no Clubhouse. Desde aquele momento até as últimas reuniões, realizadas todas às terças-feiras entre 12h e 13h, a quantidade de participantes e a qualidade do debate tem nos surpreendido e passou a fazer parte da nossa agenda semanal.

O Clubhouse começou no Brasil no início do ano apenas para os que utilizavam o IOS e desde 18 de maio para o sistema Android. O clubhouse passou nesses meses por diversos momentos críticos e de crise. A primeira acusação era de elitismo, por só atender o IOS, a outra era que não passava de um modismo passageiro e não sobreviveria à concorrência, afinal Twitter e agora o facebook desenvolvem áreas similares para o diálogo com áudio, como o do clubhouse. Se a Clubhouse tem futuro não sabemos, mas até aqui, essa rede social passa bem, ao menos a nossa comunidade cresce a cada terça-feira. 

Devo confessar a minha surpresa, porque começamos tateando as possibilidades e aprendendo a utilizar a plataforma. Aprendemos e incorporamos os seus recursos, disponíveis com as atualizações. Das três pessoas que deram início ao projeto, somente a Analice produzia conteúdo regular para as redes sociais, primeiro no youtube com o Internacionalidades e agora no Instagram, principalmente.

Como boomer, eu tenho como primeira rede social o Orkut e MySpace e fomos nos adaptando ao facebook, instagram,  TikTok  e por ai vai… Contudo, até recentemente, não assumia a minha condição de produtor de conteúdo o que, inspirado pela Analice, começa a mudar, sobretudo no instagram com o @estudosbalticos e no Clubhouse.

Debater a ONU não é fácil! E para fazê-lo construímos uma agenda passando de organização por organização no sistema. Essa era uma tarefa necessária, pois há uma grande ignorância com relação ao sistema e suas organizações. Para complicar, as teorias de conspiração utilizadas por grupos extremistas, principalmente da direita, e a desconfiança, como instrumento imperialista pela esquerda, torna a abordagem realista uma área de conflito e problemas. 

Descomplicar, não significa idealizar, romantizar, ou esconder ou desviar de questões complicadas, porém necessárias para os nossos dias. Acredito que a pandemia tenha colocado, de uma forma mais do que evidente, a necessidade de coordenações globais e no momento é somente o sistema ONU que nos oferece essa possibilidade. 

Para lidar com essas questões, a experiência do Ricardo e da Analice, em terem atuado em diferentes organizações e posições no sistema, são fundamentais para responder às tensões que surgem e passam suas experiências e perspectivas. Eu, como bookworm e historiador, busco colocar o contexto e os processos históricos e um tanto das minhas leituras.

Construímos um grupo equilibrado com a proposta de que o clube Descomplicando a ONU seja um momento de conversa. Incentivamos as pessoas a falarem e trazerem suas experiências e questões. Nos recusamos aos aulões e as palestras! O diálogo se tornou fundamental e as participações surpreendem sempre! O exercício do diálogo e debate amigável é o mais importante nesse crescimento tanto da comunidade, quanto pessoal. Por isso, fica aqui o convite, venha ao Clubhouse no clube Descomplicando a ONU para uma conversa sempre necessária sobre a ONU e as relações internacionais.