Quando começou o bolsa família, eu me surpreendi (na época) negativamente, com o governo Lula. Era difícil acreditar em uma solução dessas, que soava como um oportunismo assistencialista e que seria, mais um fracasso, como foi o Fome Zero. Do governo Lula esperávamos, inocentemente, algo mais ousado. A esquerda, e até ali o PT, sonhava com mudanças estruturais na sociedade brasileira, na busca de uma maior igualdade social.

A referência, que não esqueçamos, eram propostas como a do então Senador Suplicy, e o sonhado renda mínima. Nesse, a distribuição de renda, seria universal e consistiria em um direito dos cidadãos brasileiros, ao garantir uma pequena parcela do que o país produz e arrecada a cada um. Sonhávamos que, ações como essa, poderiam nos tirar do mapa da fome e deixaríamos, ainda que aos poucos, de ser um dos países mais desiguais do mundo.


Com tantos sonhos e expectativas, e aqui dou um depoimento muito pessoal, o Bolsa Família soava como uma solução colada ao neoliberalismo que, já na década de 1990, incentivava programas de distribuição de renda. Os programas neoliberais assumem que a distribuição de renda no capitalismo, e com as novas tecnologias, é uma impossibilidade e que, parte considerável da população, nunca terá acesso a riqueza produzida.

O objetivo, nesse caso, é não deixar morrer de fome e promover uma paz social, evitando o conflito de classes que possam atrapalhar o sistema. Os programas sociais, pensados pelos neoliberais são apaziguadores de conflitos e não a solução para desigualdade que eles naturalizam, assim como o próprio capitalismo. Portanto, o Bolsa Família, que se inscreve de certa forma nessa lógica, estava longe de uma proposta de um governo de esquerda de fato e trazia muita desconfiança, quanto a sua efetividade e intenções.

Evidentemente, todas esses debates parecem ser muito teóricos, diante de um Brasil que passa forme. Ocorre que já existiam programs sociais anteriores que acumulavam fracassos, e escândalos de desvio, além de reforçar a dependência política do cidadão, ao não garantir um direito. Programas sociais geravam desconfiança na esquerda também.

Ocorre, que como não podemos brigar com os fatos! E, é fato o poder transformador do programa. Não é exagero dizer que o Bolsa Família, foi o programa social mais importante do país e o único que distribuiu (ainda que minimamente) renda. Lamentamos sempre que o programa não tenha se tornado lei! Que ele não tenha se transformado em um direito dos cidadãos brasileiros. Permaneceu como um programa e como programa basta um par de canetadas para acabar.

Bolsa Família chefa ao fim

As canetadas vieram! O programa acaba hoje de forma melancólica, sem resistência, sem movimentação política ou popular em sua defesa. A esquerda está silenciosa e complacente, esperando por uma eleição redentora de um salvador, que pode não vir.

Os brasileiro, que estão na miséria, estão atordoados afundados na forme e sem condições de resistir. Tudo isso pede uma ampla reflexão, sobre a desmobilização da sociedade civil e sobre os programs sociais.

É um fim melancólico e silencioso…