Por Dr. Erick Reis Godliauskas Zen

Twitter: @erickrgzen

  • Europa Centro-oriental nas escolas
  • Por uma História global

Diferentes dos posts anteriores, neste eu abordarei uma experiência pessoal, ou melhor, profissional. Hoje, posso dizer que tive uma pequena realização, uma breve atividade. Não demorou mais do que uma hora e ainda assim extremamente agradável e que considero relevante: Realizei minha primeira palestra sobre Europa Centro-Oriental em uma escola.

Por que levar notícias de países tão distantes?

Bom, como todo profissional que atua na área da educação estou absolutamente preocupado com a formação dos nossos jovens. Essa preocupação, evidentemente, assume muitas dimensões que vão desde o orçamento governamental até a formação do corpo docente, etc., etc. (e poderia colocar muitos “etc” aqui…). Em meio a todas essas preocupações, tenho uma que parece sempre ficar de lado nos debates que participo ou, talvez, alguns profissionais nem mesmo a encarem como um problema, qual seja: a nossa tendência ao provincianismo.

Em particular no ensino de História, o provincianismo tanto na visão de mundo, quanto nas temáticas abordadas, é uma doença grave.

A ideia vendida é sempre a mesma: devemos sair do local, do nosso “lugarzinho no mundo” para entender a “nossa” história, a “nossa” cultura e assim por diante… Dai, se ultra valoriza um regionalismo que rapidamente se transforma em provincianismo. Esse provincianismo, somado às formas das avaliações nacionais (tanto institucional como nos exames que os alunos terão que prestar) rapidamente se mistura com uma visão de história narrativa e tradicional. A isso se acrescenta uma tendência na pedagogia atual de valorizar o uso de “métodos lúdicos” (que no Brasil chegam a ser carnavalescos) sem falar na “auto-ajuda” que invadiu as salas de aula (como dinâmicas e coisas do tipo).

O resultado é uma bomba de não conhecimento armada com: narrativa tradicional + provincianismo + carnaval pedagógico + auto-ajuda.

A explosão desta bomba já é visível! Jovens cada vez menos capazes de interpretar o que acontece pelo mundo. São poucos aqueles que assistem a um telejornal e entendem o que está acontecendo em diferentes partes do mundo. E os que conseguem entender (ao menos que saibam um idioma estrangeiro) estão limitados a uma mídia ainda mais capenga e que muitas vezes apenas traduz notícias compradas das poucas e tendenciosas agências.

Nós sabemos (sabemos?) apenas sobre nosso umbigo. Mas a humanidade é uma só! O globo terrestre, também! Acredito que o fundamento da educação é abrir horizontes e não estreitá-los. Abrir horizontes tanto na forma de abordagem como nos temas a serem abordados pela História.

Dai a minha alegria com o convite de um amigo professor (e um profissional com ótima formação e que comparte essa mesma preocupação) para dar aula sobre um lugar tão “distante” como a Europa Centro-Oriental para jovens que pouco teriam oportunidade de dialogar com um especialista no tema.

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A palavra especialista não está aqui por acaso. Uma das piores questões que temos de enfrentar na educação hoje é de ter que conviver com pseudo especialistas de formação duvidosa. Verdadeiros charlatões do conhecimento que “copiam e colam” de outros um conhecimento que não tem e, com a profundidade de um pires, difundem a sua ignorância travestida de ensino. Se você acha que eu estou exagerando você pode se fazer a seguinte pergunta: Com quantos Doutores e Mestres eu tive contato quando estava na escola? Com quantos cientistas (das diversas áreas) eu tive oportunidade de dialogar? Quantos pesquisadores profissionais eu tive oportunidade de questionar? Por que há essa distância entre os pesquisadores e a escola? Por que as escolas não investem neste diálogo? Por que os pesquisadores não atendem a esse diálogo?

Na História, uma coisa que dói é ver livros de lamentável qualidade escritos por pessoas sem formação, mas que receberam recursos das grandes corporações editoriais, serem utilizados como referência. Não quero me aprofundar neste tema aqui! (Deixo para um próximo post).

Por tudo isso, o resultado da minha experiência foi positiva! Despertar a curiosidade e obter resposta! E nada me dá mais alegria, na minha experiência docente, do que despertar a curiosidade para novos temas e mostrar como algo tão distante pode ser tão próximo de nós.

Enfim, foi uma experiência curta, em duração, mas que me deixou feliz tanto pela proposta, mas principalmente pela reação dos alunos. Uma experiência para ser lembrada e, quem sabe, para ser repetida

Como eu sempre digo: Na educação precisamos de mais conhecimento e menos carnaval! Mais especialistas e menos charlatões!

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