Por Dr. Erick Reis Godliauskas Zen

Twitter: @erickrgzen

Lunfardo… O universo do Tango que se desfruta nas noite de Buenos Aires e Montevidéu revela em sua musicalidade uma língua, ou um idioma, que se desenvolveu nas duas cidades portuárias. Uma mescla de idiomas trazidos por distintos tipos de imigrantes de todos os lugares da Europa, reminiscências de linguagem africanas e o dialeto do cárcere, do porto, do prostíbulo.

A música que não era bem vista e  inadequada as meninas de família, até se tornar sofisticada e mesmo orgulho nacional. Contudo, é nos seus gestos, na sua musicalidade e nas letras que o tango revela sua história e origem popular. O contemporâneo Cacho Castaña na musica La Gata Varela já ensina que:

Los que cantan a los gritos
seguirán siendo aprendices
porque el tango no se canta
porque al tango se lo dice
con la pausa y el silencio
al que aluden los poetas
despacito, poco a poco
para que entiendan la letra

Ouvir a letra de um Tango pode levar ao Lunfardo, o idioma de múltiplas origens que expressa a vivência dos setores mais baixos das cidades porteñas. Jorge Luis Borges chamou de “tecnología de la furca y de la ganzúa”. Não é propriamente uma língua, um idioma, um dialeto italiano, mas um modo de falar que se opõe à língua comum. A língua dos presos diante dos carcereiros ou dos portuários diante do explorador.

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É a Língua do Lupen… É a língua do fardo do trabalho ou da luta contra ele. Do Gaucho que não se adapta ao trabalho disciplinado exigida dos operários e tenta na “malandragem” continuar com sua vida livre. A complexidade e a mescla. São palavras de origem italianas, bascas e mesmo polacas que exigem um dicionário:
http://www.elportaldeltango.com/dicciona.htm

Con este tango que es burlón y compadrito
se ató dos alas la ambición de mi suburbio;
con este tango nació el tango, y como un grito
salió del sórdido barrial buscando el cielo;
conjuro extraño de un amor hecho cadencia
que abrió caminos sin más ley que la esperanza,
mezcla de rabia, de dolor, de fe, de ausencia
llorando en la inocencia de un ritmo juguetón.

Por tu milagro de notas agoreras
nacieron, sin pensarlo, las paicas y las grelas,
luna de charcos, canyengue en las caderas
y un ansia fiera en la manera de querer…

Al evocarte, tango querido,
siento que tiemblan las baldosas de un bailongo
y oigo el rezongo de mi pasado…
Hoy, que no tengo más a mi madre,
siento que llega en punta ‘e pie para besarme
cuando tu canto nace al son de un bandoneón.

Carancanfunfa se hizo al mar con tu bandera
y en un pernó mezcló a París con Puente Alsina.
Triste compadre del gavión y de la mina
y hasta comadre del bacán y la pebeta.
Por vos shusheta, cana, reo y mishiadura
se hicieron voces al nacer con tu destino…
¡Misa de faldas, querosén, tajo y cuchillo,
que ardió en los conventillos y ardió en mi corazón.

Compadrito: Homem jovem do subúrbio, que imita a atitude dos compadres. Compadre é o Gaúcho absorvido pela cidade que manteve sua vestimenta e o comportamento de atitude e independência.

Paica: (Muchacha), mulher

Grelas: Mulher, (mugre, suciedad)

Canyengue: efeito ritmo que se pode obter golpendo as cordas de um instrumento, ou com o uso do arco. É usado também como reunião em um baile

Pernó: Um licor

Shusheta: Pessoa que cuida de seguir a moda