Por Dr. Erick Reis Godliauskas Zen

Twitter: @erickrgzen

  • Escrito em 2010
  • Cine INCAA
  • Cinema Argentino

Nos cinemas de Buenos Aires mudei minha rotinas. Tenho algumas rotinas estranhas! Além de escrever besteira em um blog (quase uma “desrotina”) , principalmente quando estou realizando minhas pesquisas. Quando dependo de horários de arquivos blz, mas quando tenho que fazer entrevistas ou buscar documentos nas casas das pessoas torna-se impossível planejar. Restar ter sempre um plano “B”. Que pode ser outro contato, ou ir ao cinema, por exemplo. Daí um dia de pesquisa se converte em dia de cinema.

Em Buenos Aires isso é mais fácil. Os cinemas ainda estão no centro. Não se tornaram igrejas evangélicas. Gosto particularmente do Cine INCAA (http://www.incaa.gov.ar/castellano/index.php), onde está sempre um filme argentino ou latino-americano. Tem um bem próximo do Senado, ao lado da praça. Dá para tomar cerveja nos bares ali perto, bater um papo sentado nas cadeiras que ficam na rua. É possível até fumar! Não tem fiscal do Serra.

A sala grande das antigas. O projetor treme e falha, como deve ser um cinema. Melhor do que isso somente os 8 pesos de entrada, que é um pouco mais do que uma passagem de ônibus na fantástica São Paulo.

Entre as muitas atividades de fomento do INCAA uma de fundamental importância é manter salas de cinema, difundindo as produções e dando suporte a festivais. Ao contrário do que acontece no Brasil eles sabem que não adianta produzir filmes e não distribuir, ou pior fazer uma distribuição a partir de empresas privadas. Empresas têm como finalidade única $$$, seja vendendo o filme, recebendo generosos suportes de patrocinadores ou do governo.

Enfim, garantir uma rede de cinema é tão importante, quanto financiar o próprio filme. E se depois esses filmes puderem ser destinados a uma TV pública é ainda melhor. Quer uma idéia, o Estado compra os direitos sobre os jogos de futebol, vende propaganda e usa o dinheiro para financiar diversas atividades de cultura…. (entre elas o cinema). É mais que do legítimo que a paixão nacional ajude a cultura nacional…

De outra forma, o que nos resta é contar com a generosidade “filantrópica” ou pilantrópica de algum banco, ou o que é pior transformar em patrimônio da cultura nacional o pagamento de aluguel para algum membro da família rica de São Paulo.

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